Blog Dr. Airton Galarça

Alertas Clínicos e Epidemiológicos sobre Temas Atuais em Saúde, Casos Clínicos difíceis ou inesperados

Enxaqueca associada a risco de doença cardiovascular e mortalidade em mulheres

Dados do Nurses’ Health Study II (Estudo Saúde de Enfermeiras II), um robusto estudo de coorte prospectivo, com seguimento de 1989 a Junho de 2011, reunindo 115.541 enfermeiras, com idade entre 25 a 42 anos, sem doença cardiovascular na entrada do estudo e com ou sem enxaqueca, foram publicados.
Os resultados mostraram que 17.531 enfermeiras (15,2%) foram diagnosticadas com enxaqueca e ocorreram 1329 eventos cardiovasculares maiores e 223 mortes. Com enxaqueca o aumento do risco para doença cardiovascular maior foi de 50%, para infarto do miocárdio foi de 39% e para angina ou procedimentos de revascularização coronária foi de 37% em comparação com enfermeiras sem enxaqueca. O aumento do risco para mortalidade total por doença cardiovascular foi de 37% para as enfermeiras com enxaqueca. Essas associações não foram modificadas por outras variáveis como hipertensão, uso de contraceptivo, terapia hormonal, fumo ou idade.
Especificamente, enxaqueca com aura (sintomas que prenunciam o início da dor) estiveram associados com aumentado risco de acidente vascular cerebral (derrame).

In Kurth T, Winter AC, Eliassen AH, Dushkes R, Mukamal KJ, Rimm EB, Willett WC, Manson JE, Rexrode KM. Migraine and risk of cardiovascular disease in women: prospective cohort study. BMJ. 2016;353:i2610.

Portanto, indivíduos com enxaqueca, especialmente mulheres devem ser acompanhadas clinicamente para prevenir eventos cardiovasculares, dando especial atenção para detecção precoce e prevenção desses eventos.

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Loperamida (Imosec(R)) – Alerta de segurança do FDA sobre sérios problemas cardíacos com altas doses de abuso e uso indevido.

O FDA (Órgão de fiscalização sanitária dos EUA) está advertindo sobre o uso de doses maiores do que as recomendadas em bula ou por prescrição médica para tratamento de diarreia com o medicamento loperamida (Imosec), incluindo abuso e uso indevido do produto, que pode causar sérios problemas cardíacos, incluindo arritmias, que podem levar a morte.
A maioria dos relatos de problemas cardíacos sérios ocorreu em indivíduos que abusaram ou usaram de forma indevida, intencionalmente, altas doses de loperamida para auto tratamento de abstinência de drogas opióides ou para atingir estados de euforia, sendo que o numero desses relatos está crescendo rapidamente.
A loperamida (Imosec) é aprovada e indicada para ajudar no controle dos sintomas de diarreia, sendo a dose máxima empregada de 8mg por dia (4 comprimidos) (sem prescrição médica) e até 16mg por dia (8 comprimidos) com prescrição médica, em adultos.
O FDA recomenda que clínicos considerem toxicidade por loperamida em pacientes apresentando problemas cardíacos inexplicáveis, incluindo síncope, parada cardíaca, prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares.
O risco de efeitos cardíacos adversos pode ser elevados quando altas doses são tomadas com medicações que interagem com a loperamida (como exemplo: claritromicina, eritromicina, itraconazol, cetoconazol, quinidina, quinino e ritonavir).

In Loperamide (Imodium): Drug Safety Communication – Serious Heart Problems With High Doses From Abuse and Misuse

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Associação do consumo de nozes e doença arterial coronariana

Estudos epidemiológicos avaliando a associação do consumo de nozes com doença arterial coronariana (Infarto, Angina, Insuficiência cardíaca isquêmica) tem produzido resultantes inconsistentes. O objetivo desse estudo foi voltado a acessar o risco de DAC entre as categorias de mais alto versus mais baixo consumo de nozes, a associação de dose resposta de DAC para cada incremento na porção semanal de nozes e a heterogeneidade entre os vários estudos já publicados, assim como seus desvios de publicação.
Foram selecionados 14 estudos incluindo 6.302 casos de DAC indicando que quanto mais alta a porção de consumo de nozes versus porções menores foi significativamente associado ao risco de DAC, especialmente nos EUA e em estudos de melhor qualidade.
Uma relacionamento linear dose resposta foi encontrado e o risco de redução de DAC diminuiu em 10% para cada um aumento de porção semanal de nozes.

In Coron Artery Dis. 2016 May;27(3):227-32. doi: 10.1097/MCA.0000000000000331.

Portanto como já levantamos várias vezes um mix de nozes, amêndoas, castanha do Pará, pistache e mesmo amendoim melhoram a qualidade de vida e previne várias doenças e arteriosclerose.

Controle de pressão arterial sistêmica intensivo ou padrão para indivíduos com ou mais de 75 anos.

O objetivo desse estudo foi definir se indivíduos com ou mais 75 anos de idade devem ser tratados para atingir valores de controles intensivos (pressão arterial sistólica <120mmHg) ou valores padrões (pressão arterial sistólica <120mmHg) com ou sem diabetes. Estudo SPRINT ( Systolic Blood Pressure Intervention Trial)
Participaram 2.636 indivíduos (idade média de 79,9 anos e 37,9% mulheres), seguidos por um tempo médio de 3,14 anos e os resultados mostraram que a incidência de evolução cardiovascular composta (infarto do miocárdio, síndrome coronária aguda não infarto ou morte) foi 34% inferior no grupo intensivo (102 vs 148 eventos). Assim como todas as causas de mortalidade por outras razões foram similarmente reduzidas com o tratamento intensivo.
Eventos adversos importantes não diferiram entre os grupos. O tratamento intensivo foi associado com mais hipotensão (2,4% vs 1,4%), síncopes (desmaios leves), anormalidades dos eletrólitos do sangue (sódio, potássio, cálcio) e insuficiência renal aguda ou crônica (5,5% vc 4,0%), mas nenhumas dessas diferenças foram estatisticamente significativas.

In Systolic Blood Pressure Intervention Trial

In http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2524265

Portanto, começar a pensar em manter nossos pacientes idosos com pressões bem controladas, mas com o dobro de atenção para eventuais efeitos adversos – Incentivar a medida em casa da pressão arterial ou por agentes especializados (visitadores) ou com aparelhos próprios de boa procedência (definitivamente, não os de medir no pulso).

A Ressonância Nuclear Magnética detecta lesões encefálicas silenciosas em pacientes com fibrilação atrial

Estudo publicado na Revista Espanhola de Cardiologia mostra que 35% dos pacientes com Fibrilação atrial permanente ou persistente apresentam lesões isquemicas silenciosas embólicas (derrames por pequenos coágulos) em pequenos vasos, sem mostrar sintomas ou déficits significativos, só evidentes na ressonância nuclear magnética encefálica com técnica de difusão.
A necessidade de realizar este estudo provem do fato que os pacientes com Fibrilação atrial (uma arritmia relativamente comum entre idosos) tem um risco cinco vezes maior de sofrer tromboembolismos que as pessoas com um ritmo cardiaco normal. Por esta razão, a eles se administra um tratamento anticoagulante, a fim de evitar estes episodios, especialmente antes de um tratamento específico para a correção da arritmia (medicamentoso ou com eletrocardioversão).
É a primeira vez que se estuda, con técnicas de imagen como a ressonância magnética com difusão, a presença destes eventos tromboembólicos quando ainda não apresentam sintomas clínicos e, portanto, os pacientes não percebem nenhuma deterioração cognitiva ou alteração de consciência.

A importancia desse estudo reside no fato de assegurarmos rápida e adequada anticoagulação aos pacientes com fibrilação atrial, seja permanente ou intermitente, especialmente antes de uma cardioversão medicamentosa ou elétrica.

In http://www.revespcardiol.org/es/revistas/revista-espa%C3%B1ola-cardiologia-25/valoracion-mediante-resonancia-magnetica-cerebral-embolias-clinicamente-90093012-arritmias-estimulacion-cardiaca-2012

Uso prolongado de anti-ácidos pode levar a baixos níveis de magnésio no sangue

O uso de inibidores da bomba de prótons – anti-ácidos do tipo omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol e outros da mesma classe – podem causar baixos níveis de magnésio no sangue.
Esse é um alerta do FDA emitido em 03/03/2011 após revisar mais de 50 casos de hipomagnesemia em pacientes usando esse tipo de anti-ácidos por tempo prolongado.
A hipomagnesemia pode provocar cãimbras, arritmias cardíacas e até crises convulsivas, entretanto, muitos indivíduos podem estar com taxas reduzidas de magnésio sem sintomas.
Médicos deveriam avaliar os níveis séricos de magnésio antes de iniciar um tratamento prolongado com essa classe de anti-ácidos, assim como em pacientes que também usam digoxina, diuréticos ou outras drugas que possam causar hipomagnesemia.
Para pacientes tomando digoxina, uma medicação para o coração, isso é especiamente importante porque baixos níveis de magnésio podem aumentar o risco de sérios efeitos colaterais cardíacos.
Se você está usando alguns desses medicamentos por tempo prolongado – como por exemplo, há mais de um ano, peça para seu médico verificar o seu nível de magnésio no sangue, periodicamente e fazer reposição,se necessário.
In: http://www.drugs.com/fda/proton-pump-inhibitor-ppis-safety-communication-low-magnesium-levels-can-associated-long-term-12913.html