Blog Dr. Airton Galarça

Alertas Clínicos e Epidemiológicos sobre Temas Atuais em Saúde, Casos Clínicos difíceis ou inesperados

Associação do consumo de nozes e doença arterial coronariana

Estudos epidemiológicos avaliando a associação do consumo de nozes com doença arterial coronariana (Infarto, Angina, Insuficiência cardíaca isquêmica) tem produzido resultantes inconsistentes. O objetivo desse estudo foi voltado a acessar o risco de DAC entre as categorias de mais alto versus mais baixo consumo de nozes, a associação de dose resposta de DAC para cada incremento na porção semanal de nozes e a heterogeneidade entre os vários estudos já publicados, assim como seus desvios de publicação.
Foram selecionados 14 estudos incluindo 6.302 casos de DAC indicando que quanto mais alta a porção de consumo de nozes versus porções menores foi significativamente associado ao risco de DAC, especialmente nos EUA e em estudos de melhor qualidade.
Uma relacionamento linear dose resposta foi encontrado e o risco de redução de DAC diminuiu em 10% para cada um aumento de porção semanal de nozes.

In Coron Artery Dis. 2016 May;27(3):227-32. doi: 10.1097/MCA.0000000000000331.

Portanto como já levantamos várias vezes um mix de nozes, amêndoas, castanha do Pará, pistache e mesmo amendoim melhoram a qualidade de vida e previne várias doenças e arteriosclerose.

Controle de pressão arterial sistêmica intensivo ou padrão para indivíduos com ou mais de 75 anos.

O objetivo desse estudo foi definir se indivíduos com ou mais 75 anos de idade devem ser tratados para atingir valores de controles intensivos (pressão arterial sistólica <120mmHg) ou valores padrões (pressão arterial sistólica <120mmHg) com ou sem diabetes. Estudo SPRINT ( Systolic Blood Pressure Intervention Trial)
Participaram 2.636 indivíduos (idade média de 79,9 anos e 37,9% mulheres), seguidos por um tempo médio de 3,14 anos e os resultados mostraram que a incidência de evolução cardiovascular composta (infarto do miocárdio, síndrome coronária aguda não infarto ou morte) foi 34% inferior no grupo intensivo (102 vs 148 eventos). Assim como todas as causas de mortalidade por outras razões foram similarmente reduzidas com o tratamento intensivo.
Eventos adversos importantes não diferiram entre os grupos. O tratamento intensivo foi associado com mais hipotensão (2,4% vs 1,4%), síncopes (desmaios leves), anormalidades dos eletrólitos do sangue (sódio, potássio, cálcio) e insuficiência renal aguda ou crônica (5,5% vc 4,0%), mas nenhumas dessas diferenças foram estatisticamente significativas.

In Systolic Blood Pressure Intervention Trial

In http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2524265

Portanto, começar a pensar em manter nossos pacientes idosos com pressões bem controladas, mas com o dobro de atenção para eventuais efeitos adversos – Incentivar a medida em casa da pressão arterial ou por agentes especializados (visitadores) ou com aparelhos próprios de boa procedência (definitivamente, não os de medir no pulso).

A Ressonância Nuclear Magnética detecta lesões encefálicas silenciosas em pacientes com fibrilação atrial

Estudo publicado na Revista Espanhola de Cardiologia mostra que 35% dos pacientes com Fibrilação atrial permanente ou persistente apresentam lesões isquemicas silenciosas embólicas (derrames por pequenos coágulos) em pequenos vasos, sem mostrar sintomas ou déficits significativos, só evidentes na ressonância nuclear magnética encefálica com técnica de difusão.
A necessidade de realizar este estudo provem do fato que os pacientes com Fibrilação atrial (uma arritmia relativamente comum entre idosos) tem um risco cinco vezes maior de sofrer tromboembolismos que as pessoas com um ritmo cardiaco normal. Por esta razão, a eles se administra um tratamento anticoagulante, a fim de evitar estes episodios, especialmente antes de um tratamento específico para a correção da arritmia (medicamentoso ou com eletrocardioversão).
É a primeira vez que se estuda, con técnicas de imagen como a ressonância magnética com difusão, a presença destes eventos tromboembólicos quando ainda não apresentam sintomas clínicos e, portanto, os pacientes não percebem nenhuma deterioração cognitiva ou alteração de consciência.

A importancia desse estudo reside no fato de assegurarmos rápida e adequada anticoagulação aos pacientes com fibrilação atrial, seja permanente ou intermitente, especialmente antes de uma cardioversão medicamentosa ou elétrica.

In http://www.revespcardiol.org/es/revistas/revista-espa%C3%B1ola-cardiologia-25/valoracion-mediante-resonancia-magnetica-cerebral-embolias-clinicamente-90093012-arritmias-estimulacion-cardiaca-2012

Uso prolongado de anti-ácidos pode levar a baixos níveis de magnésio no sangue

O uso de inibidores da bomba de prótons – anti-ácidos do tipo omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol e outros da mesma classe – podem causar baixos níveis de magnésio no sangue.
Esse é um alerta do FDA emitido em 03/03/2011 após revisar mais de 50 casos de hipomagnesemia em pacientes usando esse tipo de anti-ácidos por tempo prolongado.
A hipomagnesemia pode provocar cãimbras, arritmias cardíacas e até crises convulsivas, entretanto, muitos indivíduos podem estar com taxas reduzidas de magnésio sem sintomas.
Médicos deveriam avaliar os níveis séricos de magnésio antes de iniciar um tratamento prolongado com essa classe de anti-ácidos, assim como em pacientes que também usam digoxina, diuréticos ou outras drugas que possam causar hipomagnesemia.
Para pacientes tomando digoxina, uma medicação para o coração, isso é especiamente importante porque baixos níveis de magnésio podem aumentar o risco de sérios efeitos colaterais cardíacos.
Se você está usando alguns desses medicamentos por tempo prolongado – como por exemplo, há mais de um ano, peça para seu médico verificar o seu nível de magnésio no sangue, periodicamente e fazer reposição,se necessário.
In: http://www.drugs.com/fda/proton-pump-inhibitor-ppis-safety-communication-low-magnesium-levels-can-associated-long-term-12913.html